Dias Toffoli atribui a Luiz Inácio Lula da Silva envio de relatório da PF ao STF

Ministro avalia que diretor da Polícia Federal teria agido com aval do Planalto ao encaminhar dossiê a Edson Fachin

Fonte: Malu Gaspar | O Globo
Dias Toffoli atribui a Luiz Inácio Lula da Silva envio de relatório da PF ao STF Toffoli e Lula na posse do ministro no STF, indicado pelo petista, em outubro de 2009. Crédito: U.Dettmar | SCO/STF

Brasília (DF) — O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, tem atribuído ao atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o movimento da Polícia Federal que resultou no envio de um relatório ao presidente da Corte, Edson Fachin, com informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Segundo a jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, Toffoli relatou a interlocutores próximos que acredita que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não teria encaminhado o documento ao Supremo sem o conhecimento ou autorização do presidente da República. O relatório reúne registros de ligações, mensagens e transações que envolveriam direta ou indiretamente o ministro.

De acordo com a colunista, Toffoli considera improvável que a iniciativa partisse exclusivamente da direção da Polícia Federal. O envio do material ao STF ocorreu em meio à pressão interna para que o magistrado deixasse a relatoria do caso envolvendo o Banco Master.

Horas antes de Toffoli se afastar da condução do processo, Lula se reuniu com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a quem teria cobrado rigor na apuração de possíveis irregularidades relacionadas ao banco de Vorcaro. Como chefe do Ministério Público Federal, o PGR possui a prerrogativa de apresentar pedido de suspeição contra ministros da Corte.

Nos bastidores, segundo a publicação, Toffoli também associa a atual tensão a um episódio ocorrido em 2019. Naquele ano, quando Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), seu irmão Genivaldo Inácio da Silva, conhecido como Vavá, faleceu. A defesa do então ex-presidente solicitou autorização para que ele comparecesse ao enterro, mas o pedido foi negado nas instâncias inferiores.

O recurso chegou ao Supremo durante o recesso do Judiciário, sob responsabilidade de Toffoli, que presidia a Corte. A autorização foi concedida pouco antes do horário previsto para o sepultamento, em São Bernardo do Campo (SP), com a determinação de que eventual encontro com familiares ocorresse em um quartel militar. Diante das condições e do tempo disponível, Lula optou por não comparecer à cerimônia.

Apesar de uma reaproximação institucional entre Toffoli e Lula no fim de 2024, após anos de distanciamento, o episódio de 2019 é apontado, segundo interlocutores, como um fator que teria deixado marcas na relação entre ambos.

Até o momento, não houve manifestação oficial do Palácio do Planalto, da Polícia Federal ou do Supremo Tribunal Federal sobre as declarações atribuídas ao ministro.




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