Brasil mantém pior posição histórica no Índice de Percepção da Corrupção

Brasil mantém pior posição histórica no Índice de Percepção da Corrupção

Relatório aponta silêncio presidencial sobre agenda anticorrupção e decisões judiciais como fatores de retrocesso

Jornal Gazeta do Rio
Brasil mantém pior posição histórica no Índice de Percepção da Corrupção Lula no Supremo Tribunal Federal (STF) próximo do ministro Dias Toffoli. Crédito: Reprodução | Governo Federal

País registra 35 pontos no IPC e permanece na 107ª posição entre 185 nações avaliadas

Brasil — O Brasil obteve 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC) 2025 e manteve a 107ª colocação entre 185 países avaliados, segundo relatório divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional. A pontuação é a segunda pior da série histórica iniciada em 2012, atrás apenas de 2024, quando o país marcou 34 pontos.

O índice varia de 0 a 100, sendo que quanto menor a nota, maior é a percepção de corrupção no setor público. A média global ficou em 43 pontos, enquanto a média das Américas foi de 42. O Brasil permanece abaixo desses patamares desde 2015.

Pontos destacados no relatório

Segundo a organização, um dos principais fatores que indicam retrocesso no país é o silêncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a pauta anticorrupção.

A entidade também elencou outros pontos considerados negativos:

  • Renegociação de acordos de leniência para beneficiar empresas envolvidas em corrupção, em processos apontados como pouco transparentes e sem participação das vítimas;
  • Permanência no cargo do ministro das Comunicações, Juscelino Filho, indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva, fraude em licitação e organização criminosa;
  • Retomada da influência de empresários que confessaram participação em esquemas de corrupção, como Joesley Batista e Wesley Batista, do grupo J&F;
  • Falta de transparência e de controle social no Novo PAC;
  • Percepção de ingerência política na Petrobras;
  • Decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, apontadas como tendo impacto sistêmico e internacional na percepção de impunidade, além da demora da Corte em julgar recursos da Procuradoria-Geral da República sobre o tema;
  • Episódios de conflito de interesse envolvendo magistrados, especialmente em julgamentos relacionados a escritórios de advocacia ligados a familiares e eventos classificados como lobby judicial;
  • Crescimento e descontrole das emendas parlamentares, apontado como institucionalização da corrupção em larga escala;
  • Aprovação da chamada PEC da Anistia aos partidos que descumpriram regras de destinação mínima de recursos para candidaturas de mulheres e pessoas negras.

Contexto internacional

No ranking global, a Dinamarca lidera com 90 pontos. Na última colocação aparecem Somália (9 pontos) e Sudão do Sul (8 pontos).

O diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil afirmou que o índice deve ser interpretado como um alerta institucional, destacando que a análise é sistêmica e envolve Executivo, Legislativo e Judiciário.

Posição do governo

Em nota, a Controladoria-Geral da União (CGU) afirmou que o IPC mede percepção, e não a ocorrência efetiva de corrupção. O órgão destacou avanços como melhorias no Portal da Transparência, rastreabilidade de emendas parlamentares e o lançamento do Plano de Integridade e Combate à Corrupção 2025-2027, além de 47 operações anticorrupção realizadas em 2024.

A manutenção do Brasil na pior faixa histórica do IPC intensifica o debate sobre transparência, governança e responsabilização institucional. O relatório da Transparência Internacional aponta fragilidades estruturais e decisões com repercussão sistêmica, enquanto o governo sustenta que há avanços administrativos e questiona a metodologia adotada.




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