Estado do Rio completa 10 anos de monitoramento da qualidade da água mineral
Programa da Secretaria de Estado de Saúde consolida modelo de prevenção, fiscalização e capacitação técnica nas envasadoras fluminenses
Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ Iniciativa acompanha 63 empresas em 33 municípios, fortalece avaliação de risco sanitário e amplia treinamento das vigilâncias municipais diretamente no chão de fábrica.
Rio de Janeiro (RJ) — Essencial para a hidratação diária de milhões de pessoas, especialmente em períodos de calor extremo, a água mineral consumida no estado do Rio de Janeiro passa por um rigoroso sistema de controle sanitário. Em 2026, o programa de monitoramento conduzido pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ), por meio da Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa), completa dez anos de atuação contínua, consolidando uma política pública baseada em ciência, fiscalização e prevenção de riscos à saúde.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
Ao longo dos últimos dez anos, o Programa de Monitoramento da Qualidade de Alimentos da Vigilância Sanitária da SES-RJ acompanhou de forma sistemática a produção de água mineral em todo o território fluminense. Atualmente, o estado conta com 63 envasadoras distribuídas por 33 municípios, todas inseridas no escopo de avaliação do programa.
Segundo a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, a iniciativa reforça o papel estratégico da vigilância sanitária na proteção da população. Para a gestora, garantir a qualidade da água mineral vai além da fiscalização pontual e envolve planejamento contínuo, análise técnica e ações preventivas voltadas à saúde coletiva.
Nesse período, o Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ) emitiu 6.917 laudos laboratoriais, sendo 856 referentes à água mineral destinada ao consumo humano. Do total de 1.959 laudos considerados insatisfatórios, 328 estavam relacionados à água mineral, o que corresponde a 16,7%.
As principais não conformidades identificadas envolveram resultados microbiológicos fora do padrão — como presença de coliformes totais, Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli e enterococos — além de irregularidades detectadas em análises de microscopia e rotulagem. Historicamente, a maior parte dessas ocorrências está associada a garrafões retornáveis, sobretudo em razão de falhas nos processos de lavagem e higienização das embalagens.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
De acordo com a superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, o monitoramento contínuo permite atuação preventiva, reduzindo riscos antes que o produto chegue ao consumidor, especialmente entre crianças, idosos e pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Quando são identificadas contaminações microbiológicas, os lotes com resultados insatisfatórios são retirados do mercado. Dependendo da gravidade, pode haver interdição temporária do envase até a adequação dos processos às boas práticas de fabricação.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
Paralelamente, a vigilância sanitária orienta os consumidores a verificarem informações essenciais nos rótulos, como lote, data de fabricação e validade, além de observar possíveis alterações visuais no produto, como mudança de cor ou presença de partículas em suspensão.
O programa também observa que a maior parte das coletas envolve água mineral sem gás. Do ponto de vista técnico, a água gaseificada tende a apresentar menor risco de contaminação microbiológica, em razão da presença do dióxido de carbono, que reduz o pH do produto, além de ter menor oferta no mercado.
O marco dos dez anos é acompanhado pela publicação, em dezembro de 2025, de uma nova normativa da Suvisa/SES-RJ, que padroniza a avaliação de risco sanitário das envasadoras e estabelece procedimentos suplementares de boas práticas de envase. Entre os avanços está o Guia Estadual de Avaliação do Risco Sanitário das Envasadoras de Água Mineral Natural e de Água Natural, desenvolvido e aplicado ao longo de 2025 em parceria com as vigilâncias municipais.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
A etapa atual do programa prioriza a execução prática dessas diretrizes, com inspeções in loco realizadas pelas equipes municipais, acompanhadas por técnicos da vigilância estadual. A primeira ação ocorreu em uma envasadora localizada em Paty do Alferes, na Região Centro-Sul Fluminense, entre os dias 26 e 29 de janeiro.
Segundo o coordenador de Vigilância e Fiscalização de Alimentos da SES-RJ, Werner Ewald, a presença no ambiente produtivo permite observar todas as etapas do processo, identificar falhas operacionais e orientar correções imediatas, garantindo a efetividade da norma.
Além da fiscalização, o programa investe na formação técnica das equipes municipais. Dos 33 municípios com envasadoras, 24 já passaram por capacitação, e os demais devem ser contemplados no segundo semestre de 2026. As atividades incluem inspeções práticas, simulações reais dentro das empresas e uso padronizado do guia de avaliação de risco.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
A agenda recente também envolveu a capacitação de inspetores sanitários de Engenheiro Paulo de Frontin, fortalecendo a troca de experiências entre municípios. Para a diretora da Divisão de Alimentos da Suvisa/SES-RJ, Alessandra Torres, essa integração contribui para a construção de uma rede técnica sólida e permanente.

Crédito: Roberto Corrêa | SES RJ
Inseridas no Plano Estadual de Saúde (PES) 2022–2027 e na Programação Anual de Saúde (PAS), as ações reforçam o compromisso do estado com a segurança da água destinada ao consumo humano. Ao completar dez anos, o programa reafirma uma mensagem central: a água mineral que chega à mesa dos fluminenses é resultado de um trabalho contínuo, técnico e responsável, essencial para a proteção da saúde coletiva.





