Centro Psiquiátrico do Rio transforma acervo de vinis raros em ferramenta de cuidado em saúde mental

Vinil vira ferramenta terapêutica e transforma o Centro Psiquiátrico do Rio em polo cultural na Gamboa

Assessoria de Imprensa | Secretaria de Estado de Saúde – RJ
Centro Psiquiátrico do Rio transforma acervo de vinis raros em ferramenta de cuidado em saúde mental Acervo com mais de 5.600 discos de vinil, muitos deles considerados raridades fonográficas. Foto: Divulgação

Com mais de 5.600 discos raros, discoteca hospitalar alia saúde mental, memória afetiva e inclusão social e caminha para se tornar Ponto de Cultura aberto à população

Rio de Janeiro No bairro da Gamboa, região central do Rio de Janeiro, um espaço pouco conhecido do grande público guarda um dos mais singulares acervos musicais do estado. Dentro do Centro Psiquiátrico do Rio de Janeiro (CPRJ), a música deixou de ser apenas entretenimento e passou a integrar, de forma estruturada, as estratégias de cuidado em saúde mental. Um conjunto de mais de 5.600 discos de vinil, muitos deles considerados raridades fonográficas, é utilizado como instrumento terapêutico, estímulo cognitivo e elo com a história de vida dos pacientes.

A discoteca funciona como espaço vivo de escuta, diálogo e construção de vínculos. O cuidado cotidiano do acervo está nas mãos de Rafael Carvalho da Silva, paciente da unidade desde 2013 e morador da Gamboa. Mais do que guardião dos discos, Rafael atua como curador espontâneo da trilha sonora que ecoa pelos corredores do hospital.

“Minha relação com a música vem da infância. Cresci ouvindo discos, depois fitas e CDs. Aqui, quando chego à discoteca, ligo a rádio interna para tocar no hospital inteiro. A música faz parte do meu dia e do tratamento”, relata.


Rafael Carvalho da Silva, paciente da unidade desde 2013. Foto: Divulgação | SES-RJ

Apaixonado pelo Vasco e pela música brasileira, Rafael destaca como referência artística Milton Nascimento, especialmente a produção do artista entre as décadas de 1960 e 1980. Na programação da rádio interna do CPRJ, ele também adota um critério afetivo: datas de aniversário de músicos servem de gancho para homenagens sonoras, fortalecendo a relação entre memória, identidade e cuidado.

Um acervo construído pela solidariedade

A discoteca teve início em 2012, a partir da doação de uma coleção de vinis pertencente a três irmãs centenárias. A história ganhou visibilidade e estimulou novas contribuições, transformando o espaço em um verdadeiro patrimônio cultural. Entre os destaques estão títulos do histórico Selo Festa, responsável por registros fundamentais da música e da literatura brasileiras entre 1955 e 1971.

O acervo reúne gravações de poemas de Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade, além de textos de Machado de Assis, peças teatrais, álbuns raros da MPB, música internacional, registros orquestrais e trilhas sonoras de novelas.

Segundo o diretor-geral do CPRJ, Francisco Sayão, médico psiquiatra, o contato com esse material vai além da audição.


Dr. Francisco Sayão, médico psiquiatra, Diretor-geral do CPRJ. Foto: Divulgação SES-RJ

“A escuta do vinil permite uma experiência estética completa. O paciente ouve, lê o encarte, comenta, compartilha impressões. É um processo que estimula sensibilidade, memória e convivência”, explica.

Arte integrada ao cuidado em saúde mental

A unidade é vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) e gerida pela Fundação Saúde. Há anos, o CPRJ mantém oficinas terapêuticas que utilizam a arte como ferramenta de reabilitação psicossocial, incluindo música, dança, yoga, artesanato, pintura e bordado.


O CPRJ mantém diversas oficinas terapêuticas que utilizam a arte como ferramenta de reabilitação psicossocial. Foto: Divulgação SES-RJ

No mês passado, Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, o hospital passou a ser reconhecido formalmente como Ponto de Cultura, com abertura gradual do espaço à visitação pública. Entre os protagonistas dessa expansão está o grupo Harmonia Enlouquece, formado por usuários e profissionais da saúde mental, que completa 25 anos de atuação em 2026 e foi contemplado recentemente com o Prêmio Asas, ligado à Política Nacional Aldir Blanc.


Grupo Harmonia Enlouquece, formado por usuários e profissionais da saúde mental. Foto: Divulgação SES-RJ

De acordo com o Dr. Francisco Sayão, o CPRJ já funciona, na prática, como Ponto de Cultura desde 2015, promovendo encontros mensais que reúnem pacientes da própria unidade, dos CAPs, do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, do Instituto Municipal Philippe Pinel e de outras instituições da rede.

“A diferença agora é a formalização. A proposta é ampliar o acesso também para a comunidade do entorno, com atividades no fim da tarde e à noite durante a semana. O Harmonia Enlouquece terá papel central na recepção do público, com apresentações musicais ao vivo”, afirma o diretor.

Cultura, território e pertencimento

Em abril, o grupo celebrará 25 anos de trajetória ininterrupta com uma programação especial no CPRJ, incluindo o lançamento do álbum “Quinto dos Infernos”, além de exposições e ações culturais integradas. A iniciativa consolida o hospital como espaço de cuidado que ultrapassa o modelo tradicional, reforçando a arte como ferramenta de inclusão, cidadania e reconstrução de vínculos.




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