Espetáculo "Theatro Municipal conta histórias” estreia no Theatro Municipal do Rio

Visita teatralizada transforma o público em personagem de uma viagem sensorial pela história do Rio de Janeiro

Jornal Gazeta do Rio
Espetáculo Em “Theatro Municipal conta histórias”, a história não é apenas narrada: ela é encenada, sentida e vivida. Foto: Marcio Curvello | Jornal Gazeta do Rio

Espetáculo em cartaz desde 14 de janeiro propõe uma imersão cênica na história do Theatro Municipal e do Rio de Janeiro, unindo educação patrimonial e experiência artística.

Rio de Janeiro (RJ) — Desde o dia 14 de janeiro, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro recebe o público para uma proposta que vai além da visita guiada tradicional. Em “Theatro Municipal conta histórias”, a história não é apenas narrada: ela é encenada, sentida e vivida, transformando o visitante em parte ativa de uma experiência sensorial que atravessa o tempo e a memória cultural da cidade.

A jornada começa antes mesmo de o público chegar à plateia. O acesso pela entrada lateral, em frente ao Salão Assyrius, seguido da condução pela escadaria até o hall principal, marca simbolicamente a passagem do presente para o passado.


Foto: Marcio Curvello | Jornal Gazeta do Rio 

Em meio à arquitetura monumental, atores caracterizados com figurinos de época situam os visitantes no final do século XIX, período marcado pela queda do Império, pela instauração da República e pelo desejo urgente de modernização do país.


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A encenação se ancora na Belle Époque carioca, quando o Rio de Janeiro buscava se afirmar como capital moderna, higiênica e cosmopolita. Entre diálogos ágeis, música e humor, a narrativa costura a reforma urbana conduzida por Pereira Passos, inspirada em Paris, com a construção da Avenida Central — atual Avenida Rio Branco — e a inauguração do Theatro Municipal, em 1909. O espetáculo, no entanto, não ignora as contradições desse processo: o chamado “bota-abaixo” surge também como ruptura social, responsável pelo deslocamento de populações pobres para os subúrbios e encostas da cidade.


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Cinelândia, a terra dos cinemas

Durante a apresentação, a encenação lança luz sobre a Cinelândia como polo cultural e cinematográfico do Rio de Janeiro. Os atores explicam que, apesar de o Theatro Municipal ter sido inaugurado em 1909, o nome Cinelândia só passaria a ser adotado na década de 1920. Antes disso, a área era conhecida como Largo da Mãe do Bispo, referência histórica ligada à ocupação religiosa do entorno.


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A mudança de nome acompanha a transformação urbana e cultural da região, que se consolidou como a “terra do cinema”, reunindo salas que marcaram época, como o Cine Pathé, o Cine Paraíso do Rio, o Palace, o Cine Brasil, o Paris e o Grande Cinematógrafo Popular, espalhados pelas imediações da então Avenida Central.


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A narrativa destaca o papel do empresário Francisco Serrador, figura central nesse processo. De origem humilde e trajetória ligada ao circo e ao cinema itinerante, Serrador fundou a Companhia Cinematográfica Brasileira e idealizou o entorno do Theatro Municipal como um grande centro de lazer, inspirado em referências internacionais como a Broadway e a Times Square. O espetáculo também contextualiza a demolição do Convento da Ajuda e o avanço de novas técnicas de engenharia, como o uso do concreto armado, que marcou o início dos edifícios modernos na região.


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Nesse percurso, a relação entre cinema e música ganha destaque com o emblemático Cine Odeon. Ali, o pianista Ernesto Nazareth costumava tocar antes das sessões e nos intervalos dos filmes, dando origem à célebre composição Odeon, que décadas depois ganharia letra de Vinicius de Moraes. Ao revisitar esse passado, a encenação evidencia como teatro, cinema e música coexistiam e se influenciavam, reafirmando a Cinelândia como epicentro da vida cultural carioca no início do século XX.

Linguagem teatral e experiência

A escolha da linguagem teatral é central ao projeto. Para a dramaturga e criadora Daniela Chindler, a visita teatralizada se aproxima mais do teatro do que da mediação museológica tradicional. “A mediação pressupõe uma conversa, e uma conversa é mais de uma pessoa falando. Já a visita teatralizada trabalha com um texto ensaiado. Não é melhor nem pior, é diferente”, explica.


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Esse “pacto” com o espectador é essencial para a experiência. “O espectador aceita suspender temporariamente sua descrença e considerar como verdade o universo que está sendo apresentado. É isso que buscamos: convidar as pessoas de hoje a embarcarem conosco em uma aventura que começa em 1900. Essa é a magia da visita teatralizada”, afirma.


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Os figurinos de época cumprem papel fundamental nesse mergulho no passado. Saias longas, chapéus e roupas do início do século XX ajudam o público a embarcar na viagem no tempo. Ainda assim, a narrativa não permanece congelada na história. “A partir do momento em que elenco e visitantes entram no coração do teatro, na plateia, os anos começam a correr e chegamos até os dias de hoje”, destaca a criadora.

Arquitetura, memória e personagens

Ao longo do percurso, o público “embarcará” simbolicamente em um bonde elétrico, acompanhará mudanças de hábitos, linguagem, moda e costumes, percebendo o Rio como um organismo vivo, vibrante e contraditório. 


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Ao subir as escadarias internas, o olhar é convidado a desacelerar: mármores de Carrara e Rosso de Verona, ônix argelino e vitrais monumentais deixam de ser apenas cenário e passam a integrar a dramaturgia.


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No percurso pelos salões e foyers, ganham destaque personagens centrais da cultura brasileira. Histórias envolvendo Chiquinha Gonzaga e Nair de Teffé revelam embates entre tradição e modernidade, enquanto episódios como a execução do maxixe Corta-jaca no Palácio do Catete evidenciam a força da música popular brasileira. O roteiro incorpora ainda um olhar contemporâneo, valorizando protagonismos femininos e negros.


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A própria criação do Theatro Municipal é dramatizada a partir da persistência do dramaturgo Arthur Azevedo, figura central na luta por um teatro à altura da então capital federal. Erguido sobre solo encharcado, com milhares de estacas de madeira e materiais vindos de diferentes partes do mundo, o edifício se afirma como gesto simbólico da modernidade republicana.


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O ápice da visita acontece na plateia e no palco. Ali, o público conhece curiosidades técnicas — como a inclinação do palco, os elevadores cênicos e o sistema pioneiro de climatização — enquanto revive momentos marcantes da história artística do teatro.


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Passam pela narrativa nomes como Maria Olenewa, Isadora Duncan, João do Rio e Fernanda Montenegro, compondo um mosaico afetivo que reafirma o Theatro Municipal como palco vivo da história cultural do Rio de Janeiro.


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Com duração de uma hora e meia, “Theatro Municipal conta histórias” aposta na teatralização como ferramenta de educação não formal e valorização do patrimônio cultural. Ao final do percurso, a sensação é de que o espectador não apenas visitou o Theatro Municipal, mas viveu uma experiência — algo que aconteceu, tocou e permaneceu.


Foto: Marcio Curvello | Jornal Gazeta do Rio 

O projeto é patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, pela Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro e pela Rede D’Or, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Lei do ISS.


🎭 Serviço

Theatro Municipal conta histórias

Formato: Visita teatralizada

Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Praça Floriano, s/nº – Centro

Estreia: 14 de janeiro

Temporada: até 30 de janeiro

Horários:

Quartas (14, 21 e 28/1) – 16h

Sextas (16, 23 e 30/1) – 11h

Sábado (17/1) – 11h

Ingressos: R$ 20 (inteira) | R$ 10 (meia-entrada)

Duração: 1h30

Capacidade: 40 pessoas por sessão

Classificação indicativa: a partir de 12 anos

🎟️ Vendas online: plataforma Fever

🎬 Ficha técnica

Texto: Daniela Chindler

Pesquisa histórica: Luciene Carris

Direção: Augusto Pessoa

Direção musical: Guilherme Miranda

Pesquisa musical: Joaquim de Paula

Elenco: Adassa Martins, Gabriel Sant’Anna, Lucas Salustriano e Sophia Fried

📣 Assessoria de Imprensa

Armazém Comunicação

  • Christina Martins
  • Andrea Tenório

📧 armazemcomunica22@gmail.com


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