JUIZ DE FORA E ZONA DA MATA MINEIRA; NÚMERO DE MORTOS CHEGA A 64

Tragédia expõe vulnerabilidade urbana, falhas estruturais e atraso em obras de prevenção

Jornal Gazeta do Rio
JUIZ DE FORA E ZONA DA MATA MINEIRA; NÚMERO DE MORTOS CHEGA A 64 Foto: Reprodução | G1

Temporal histórico na Zona da Mata mineira expõe falhas estruturais, atraso em obras preventivas e vulnerabilidade de 25% da população de Juiz de Fora que vive em áreas de risco.

Juiz de Fora (MG) — As fortes chuvas que atingem a Zona da Mata mineira desde a última segunda-feira (23) provocaram uma das maiores tragédias climáticas da região nos últimos anos. Ao menos 64 pessoas morreram — 58 em Juiz de Fora e 6 em Ubá — e cinco seguem desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros. Os municípios de Juiz de Fora, Matias Barbosa e Ubá decretaram estado de calamidade pública.

Foto: Reprodução | G1

O temporal provocou transbordamentos, deslizamentos de terra e o desabamento de imóveis, deixando milhares de desabrigados e desalojados. O cenário reacende o debate sobre ocupações em áreas de risco, planejamento urbano e a execução de obras estruturais de prevenção.

Juiz de Fora concentra maior número de vítimas

Em Juiz de Fora, o Rio Paraibuna subiu rapidamente, transbordou e atingiu diversos bairros. A situação mais crítica foi registrada no Parque Burnier, na Rua Natalino José de Paula, onde mais de dez casas desabaram e soterraram 22 pessoas.

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Até a manhã desta sexta-feira (27), o município contabiliza 58 mortos e três desaparecidos. O Corpo de Bombeiros entrou no quarto dia consecutivo de buscas. Entre as vítimas está a criança Sofia, cujo corpo foi localizado após intenso trabalho de escavação nos escombros.

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O município enfrenta um problema estrutural histórico: cerca de 130 mil pessoas vivem em áreas de risco de deslizamentos e inundações, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE/BDR), em conjunto com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. O número representa aproximadamente 25% da população local exposta a algum tipo de ameaça geológica ou hidrológica.

Ubá e Matias Barbosa também sofrem impactos

Em Ubá, a Avenida Beira Rio ficou completamente tomada pela água. O município registra seis mortes e dois desaparecidos. Equipes seguem mobilizadas nas áreas mais afetadas.

Já em Matias Barbosa, a cheia do Rio Paraibuna também provocou alagamentos após o transbordamento ocorrido em Juiz de Fora. Apesar dos prejuízos materiais e do número elevado de desalojados, não houve registro de mortos ou feridos na cidade.

Matias Barbosa foi uma das cidades da Zona da Mata de Minas Gerais atingida na noite de segunda-feira (23) pelas fortes chuvas│Divulgação/Prefeitura de Matias Barbosa

Alertas emitidos e evacuação de 800 famílias

A Defesa Civil havia emitido alerta para risco de deslizamentos cinco dias antes do agravamento da situação, sem prazo determinado para encerramento. Também permanece em vigor o aviso de tempestade com chuvas intensas até as 9h do dia 1º de março, podendo ser prorrogado conforme a evolução meteorológica.

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Diante da previsão de temporais, a prefeitura orientou evacuação emergencial em ruas específicas dos bairros Três Moinhos (Zona Leste), Vila Ideal e Parque Burnier (região Sudeste), Esplanada e Jardim Natal (Zona Norte), além de Paineiras (região central). A medida também incluiu vias acima da Olegário Maciel e o trecho entre a Rua Padre Café e a esquina da Rua Engenheiro Maurício Giron, no Bairro Dom Bosco.

Pelo menos 800 famílias foram orientadas porta a porta a deixarem suas residências.

Obras previstas não foram concluídas a tempo

A estratégia da Prefeitura combina monitoramento contínuo, mapeamento de encostas e intervenções estruturais, como obras de contenção e drenagem em pontos críticos. No entanto, parte significativa das obras preventivas previstas — muitas delas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — não foi concluída antes do período chuvoso.

Em nota, a administração municipal informou que ainda não é possível estimar o prejuízo material total, já que as equipes seguem realizando vistorias técnicas. O município destacou que nenhuma conta financeira é capaz de mensurar a dimensão humana da tragédia e que um balanço consolidado será apresentado após a finalização dos levantamentos.

A gestão também ressaltou que muitas áreas de risco são ocupações antigas e consolidadas, com vínculos comunitários e familiares, o que torna eventuais remoções um processo complexo sob o ponto de vista social e habitacional.

Desastre natural ou vulnerabilidade institucional?

A magnitude dos danos reacende o debate sobre planejamento urbano, fiscalização de ocupações irregulares e execução de políticas públicas de prevenção. Com eventos climáticos cada vez mais intensos, especialistas defendem a ampliação de investimentos em drenagem, contenção de encostas, reassentamento habitacional e sistemas de alerta precoce.

Enquanto as buscas continuam e o número de vítimas pode sofrer alterações, a Zona da Mata mineira enfrenta não apenas a reconstrução física das cidades, mas também o desafio de rever estruturas e prioridades para evitar que novas tragédias semelhantes ocorram.




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