Joelho de queijo e presunto: o salgado que conquistou o paladar carioca

Presente nas padarias e lanchonetes de todos os bairros do Rio, o joelho é um clássico que atravessa gerações e segue sendo o lanche preferido dos cariocas.

Jornal Gazeta do Rio
Joelho de queijo e presunto: o salgado que conquistou o paladar carioca Foto: Joelho de queijo e presunto recém-saído do forno na Casa do Pão – unidade Tijuca, Rio de Janeiro. Crédito: Marcio Curvello / Jornal Gazeta do Rio

Rio de Janeiro, 12 de novembro de 2025 — O cheirinho de massa assando, o queijo derretendo e a casquinha dourada saindo do forno. Assim começa o dia de muitos cariocas que não abrem mão do tradicional joelho de queijo e presunto, uma das iguarias mais queridas das padarias do Rio de Janeiro.

Mais do que um simples salgado, o joelho representa o sabor do cotidiano e o carinho da comida feita com simplicidade. É lanche de escola, café de esquina, pausa rápida no trabalho e memória afetiva de gerações.


Joelhos de queijo e presunto recém assados, com queijo derretendo, na Casa do Pão – Tijuca. Crédito: Marcio Curvello / Jornal Gazeta do Rio

Origens e curiosidades

A iguaria popularmente conhecida como joelho — chamada também de italiano, bauru ou enroladinho, a depender da região — é um dos salgados mais tradicionais do Brasil e até de Angola. Produzido com massa de pão recheada com queijo e presunto, e por vezes com ingredientes adicionais como tomate e cebola, o salgado é vendido em praticamente todas as padarias, pequenas lanchonetes, quiosques e barracas de rua.

Dentro da área metropolitana do Rio de Janeiro, há uma curiosa divisão linguística: na capital e na Baixada Fluminense, o salgado é chamado de “joelho”, enquanto em Niterói e no Leste Metropolitano é conhecido como “italiano”. Essa diferença de nomes, mesmo dentro de uma mesma região cultural, gerou uma disputa bem-humorada entre cariocas e niteroienses sobre qual seria a denominação “correta”.

O nome “joelho” teria surgido como uma brincadeira: nas vitrines das padarias, os salgados de presunto e queijo ficavam expostos abaixo das coxinhas — logo, “joelhos”. Já o termo “italiano” teria origem na semelhança com a pizza, por compartilharem ingredientes como massa, queijo e presunto.

Em outras partes do Brasil, o salgado recebe diversos nomes: “brioche” (em Petrópolis), “nata” (em Teresópolis), “bauru de forno” (em São Paulo), “enroladinho” (na Bahia e em outros estados) e até “misto” (em Angola). Apesar das variações, a essência é a mesma — um salgado simples, saboroso e universalmente querido.


Close do joelho de queijo e presunto da Casa do Pão – Tijuca. Crédito: Marcio Curvello / Jornal Gazeta do Rio
A provável origem portuguesa do joelho

Acredita-se que o joelho tenha surgido no Rio de Janeiro, mas suas raízes podem ser traçadas até a culinária portuguesa. Nos séculos XIX e XX, grande parte das padarias cariocas era administrada por imigrantes vindos de Portugal — especialmente das regiões do Minho e de Trás-os-Montes —, que introduziram técnicas de panificação europeias e o hábito de preparar pães recheados e assados.

Em Portugal, já existiam receitas semelhantes, como o pão com fiambre e queijo, o folhado misto e o lanche de forno, que provavelmente inspiraram os primeiros “joelhos” nas padarias cariocas. Com o tempo, o salgado foi adaptado ao gosto brasileiro: ganhou formato retangular, massa mais leve, recheio mais farto e passou a ser consumido em larga escala. 

A presença do mesmo tipo de salgado em Angola, onde é conhecido como “misto”, reforça essa conexão lusófona. A receita viajou junto com a cultura das padarias portuguesas, tornando-se popular tanto no Brasil quanto na África. Assim, o joelho é hoje uma expressão do encontro entre heranças portuguesas e a criatividade carioca — um salgado genuinamente do Rio, mas com alma lusitana.

Na Casa do Pão – unidade Tijuca, o joelho é o produto mais procurado desde as primeiras horas do dia. O movimento começa antes mesmo das 6h.

“Às 5h30 já tem cliente na porta esperando o primeiro joelho sair quentinho do forno”, conta Lucas Machado, gerente da unidade. “É o nosso carro-chefe. Vendemos entre 150 e 180 unidades por dia, e o pessoal vem de longe pra buscar.”


Lucas Machado, Gerente da Casa do Pão, unidade Tijuca. Crédito: Marcio Curvello / Jornal Gazeta do Rio

Segundo Lucas, o segredo está na receita que se mantém fiel à tradição.

“A começar que trabalhamos com ingredientes de qualidade. E o equilíbrio entre massa, queijo e presunto e o ponto exato do forno fazem toda a diferença. É aquele sabor de padaria carioca que todo mundo reconhece.”

Para muitos clientes, o lanche é quase um ritual — acompanhado de café preto ou suco natural. E, embora novas opções tenham surgido, o joelho segue imbatível.

“O carioca é fiel ao joelho. Ele atravessa gerações, muda o bairro, mas o pedido é o mesmo. O joelho tem o gosto da cidade”, afirma o gerente.


Joelhos com recheio de queijo e presunto expostos após o corte, na Casa do Pão – Tijuca. Crédito: Marcio Curvello / Jornal Gazeta do Rio

Mesmo com as transformações do mercado e o avanço das padarias gourmet, o joelho mantém seu lugar de destaque. É um lanche democrático, acessível e cheio de identidade. De Copacabana à Zona Norte, do Centro a Santa Cruz, ele é presença certa nas vitrines
e nas memórias afetivas de quem vive o Rio.

Casa do Pão: tradição e sabor desde 1989
Fazendo história desde 1989, a Casa do Pão é uma das panificadoras mais tradicionais do Rio de Janeiro, com seis unidades espalhadas pela cidade: Tijuca 1, Tijuca 2, Flamengo, Catete, Penha e Vila ValqueireCom ambiente acolhedor e cardápio variado, a rede oferece pães artesanais, tortas, doces, sobremesas, pizzas e lanches — sempre com a qualidade que conquistou gerações.
Serviço:

Endereço: Rua Conde de Bonfim, 306, Tijuca – Rio de Janeiro (RJ)
Telefone: (21) 2486-9748
WhatsApp: (21) 99952-1479
Horário de funcionamento: de 6h às 22h


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