Vinicius Domingues Cavalcante, CPP

Especialistas de gabinete e o abismo entre teoria e realidade

Reflexões sobre o papel dos formuladores de políticas públicas e o distanciamento entre a academia e a prática operacional no Brasil

Gazet.AI / Jornal Gazeta do Rio.
Especialistas de gabinete e o abismo entre teoria e realidade Especialistas de gabinete e o abismo entre teoria e realidade

Foi só acontecer a espetacular operação das nossas forças de segurança contra a narcoguerrilha terrorista para que voltássemos a ser procurados pela mídia para opinar acerca do evento. Desde que eu particularmente deixei de crer no concurso da FFAA para nos defender que, cada vez menos escrevo nas redes sociais , embora amigos ainda me procurem para dar minha opinião acerca de questões da segurança pública como essa operação policial, com a qual não dá pra discordar.

Repliquei os vídeos da Professora Jaqueline Muniz de brincadeira para diversos amigos e Grupos. Não conheço pessoalmente a professora mas, sinceramente, não iria participar de um treinamento ministrado por ela e - é claro - jamais convidaria essa senhora para palestrar no nosso Conselho Empresarial de Segurança da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

A questão é que, indubitavelmente, gostando ou não, a Professora Jaqueline Muniz é, de fato, A ESPECIALISTA em segurança pública. Acadêmica reconhecida da UFF...

Ela está há pelo menos 25 anos na universidade e nos Institutos formulando política pública de segurança. Ela esteve envolvida aqui no Rio desde a criação do Instituto de Segurança Pública, o ISP (que faz as estatísticas, e teve subvenção do rico dinheirinho do Sr. George Soros) até a revisão de procedimentos operacionais da PM e BM. Ela deu aula para praticamente todos os PMs e Delegados que foram ornar seus currículos com mestrado na UFF e que estiveram à frente da formulação das políticas e das mudanças implementadas desde a época do Garotinho. Acredito mesmo que ela haja participado da formulação da Nova Polícia do Garotinho... Dona Jaqueline esteve na SENASP também...

Muita gente lhe rende homenagens...

Todos os "caciques", antropólogos, sociólogos e violenciólogos, formuladores de mudanças foram seus alunios, os quais, se discordassem dela, simplesmente comprariam a antipatia dos docentes e não se formariam em seus respectivos cursos. Dona Jaqueline, que, como todos podem ver, conhece para cacete sobre tática, operações armas e explosivos, tem sua influência na estrutura de segurança do Rio. As impressões dela, de Ricardo Balestreri, de Luiz Eduardo Soares e de seus especialistas perduram e deram no que deram!

Eu tô fora! Cada um tem suas opiniões e suas verdades.

Eu, que Graças a Deus ainda tenho alguma memória, sei o quanto pessoas como essa famosa acadêmica, o sociólogo Rubem Cesar Fernandes e as ONGs como o Viva Rio influenciaram os formuladores da nossa Segurança para chegarmos no ponto onde chegamos. Falemos por favor do papel do Viva Rio... Hoje ninguém lembra ou fala dele, mas essa ONG ganhou muito $ para nos usar como cobaia...

Um grande óbice para a gestão da Segurança Pública de uma maneira geral, é que os profissionais e aqueles que por quaisquer motivos são alçados à condição de seus gestores, parecem prescindir das experiências daqueles que os precederam. A tarefa de gerir as complexas questões da segurança pública no Brasil já seriapor si só monumental, sem que necessitássemos dificultá-la ainda mais “reinventando a roda”. Como iniciar um processo sem conhecer em profundidade os antecedentes históricos, sobretudo os fatos sob a ótica dos profissionais da respectiva época, com suas técnicas, táticas e recursos?

Todo trabalho sério deve estar fundamentado em estudos acadêmicos, pressupostos de cunho sociológicos, psicológicos, comportamentais...; mas também não se poderia deixar de levar em consideração os estudos desenvolvidos anteriormente, bem como um extenso levantamento dos fatos, das experiências e impressões dos profissionais que os antecederam, e daqueles homens experientes que estão na "ponta da linha", as “fontes primárias”.

Os estudiosos, especialistas e gestores não deveriam deixar-se levar pelos preconceitos acadêmicos e reconhecer que, mesmo sob depoimentos pobres ou pouco elaborados, pontilhados de senso comum, poderão estar contidas lições imprescindíveis para a realização da atividade de segurança.

A principal questão talvez seja a de conciliar todo um rol de novas acepções aos velhos princípios e para isso não dá pra se ficar cuspindo giz e falando daquilo que só se conhece na teoria!

Nem precisava assistir a entrevista da especialista que viralizou na internet para saber que, no Brasil, é extraordinariamente comum encontrarmos programas de investimentos desenvolvidos em áreas eminentemente técnicas, que foram elaborados sem o concurso dos profissionais da área. Por mais que defendamos a idéia de uma abordagem sempre plural e da apreciação multidisciplinar de cada assunto, não se compreende que decisões possam ser tomadas à revelia de quem de fato milita na área, de quem tem muita vivência no assunto e conhece-o em profundidade. As credenciais acadêmicas de um intelectual ou pesquisador não necessariamente o qualificam como especialista em assuntos aos quais técnicos, às vezes de currículo mais modesto, bem dominam por dedicarem a eles sua vida toda.

Na Segurança Pública podemos apontar inúmeros exemplos de programas desenvolvidos por profissionais de áreas diversas, os quais se arrogavam “especialistas em Segurança Pública”, cuja aplicação, na prática acabou por apresentar problemas estruturais que um técnico realmente experimentado da área teria detectado antes, sem dificuldades. No caso específico das ações do âmbito da Segurança Pública sabemos que componentes da sociedade civil como juristas, cientistas sociais, historiadores, administradores, militares e até civis estudiosos do tema, podem muito acrescentar aos técnicos das diversas policiais; porém o que não se concebe é alijar os técnicos da área de um processo no qual eles terão decisivamente de atuar, pondo em risco tanto suas reputações como também as suas próprias vidas. Quem vai achar que pode opor criminosos com fuzis em elevações dominantes com pistolas?

Pior! Quem vai querer enfrentar criminosos com fuzis modernos e com assessórios como lunetas e miras holográficas com precisas "pedradas"? Se foi apenas força de expressão, teria sido melhor ficar de boca fechada!

E eu é que tenho que acreditar que tais pessoas tem a solução para problemas que todo o academicismo delas sequer foi capaz de divisar?

Decididamente eu tô muito antigo! E quanto mais envelheço mais tenho a certeza de que temos de ser honestos e coerentes, aprender a divergir, a falar defendermos nossos pontos de vista de forma politicamente incorreta!

Como as redes sociais estão nos mostrando, ainda bem que o público e o pessoal das polícias fique revoltado com esses especialistas de gabinete, mas eles são apenas os operadores das políticas que esses acadêmicos e violenciólogos elaboram à sua revelia.

Hoje ninguém mais lembra que Luiz Eduardo Soares propunha uma polícia especial, recrutada e formada exclusivamente pelos membros das favelas para atuar naquelas comunidades. Hoje, ele muito sabiamente tirou a proposta da rede...rs

Esses "especialistas" são os mesmos intelectuais, acadêmicos e formadores de opinião que pautaram, defenderam e ainda defendem o desarmar o cidadão de bem! Aqueles bem remunerados intelectuais, de apreciável currículo acadêmico, com boa aparência, jeito simpático e despojado, com fala mansa e discurso modelado por anos de militância no movimento estudantil, que ainda hoje tem a cara de pau de vir públicamente apresentar discutíveis estatísticas e priorizar o desarmamento do cidadão, ao mesmo tempo em que não se incomodam com o armamento militar de procedência clandestina em posse dos nossos narcoguerrilheiro.

Há muito tempo que venho abordando a questão da apropriação do modus operandi terrorista pelos nossos traficantes. Eles talvez jamais hajam tido a oportunidade de ler o mini-manual do Marighella (que aliás está disponível a internet, nos sites de diversos "movimentos sociais") mas focam em seu objetivo de infundir o medo e a intimidação atacando, como uma forma de dominar áreas e quem mora nela. A manutenção de dominação sobre a vida das populações nas favelas é uma das premissas do poder paralelo que o tráfico busca exercer, e nisso ele em nada se diferencia das guerrilhas. Será que nossos especialistas acreditam que vão conseguir sobrepujar essas hostes com palavras gentis que lhes remetam a uma reflexão altruísta?

Decididamente eu tô farto de assistir esse tipo de debatedores, defensores do indefensável e sinceramente espero que a nossa pupulação ajude a lhes dar um basta.

Por favor, escolham bem os "especialistas" a quem dão ouvidos!


📲 Curta nossas redes sociais! Acompanhe o Jornal Gazeta do Rio no Instagram, Facebook, X e Threads para ficar por dentro das principais notícias, entrevistas e bastidores do Rio.

🗣️ Deixe o seu comentário! Queremos saber a sua opinião! Participe da conversa e compartilhe com a gente o que achou desta matéria. Seu comentário é muito importante para nós.



LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.