Polícia Federal pede suspeição de Dias Toffoli em investigação envolvendo o Banco Master
Pedido foi encaminhado ao presidente do STF após análise de celular de executivo da instituição financeira
Dias Toffoli (Foto: Gustavo Moreno/STF | Divulgação/Banco Master) Intimado por Edson Fachin, ministro deverá se manifestar sobre possível conflito de interesses; caso amplia tensão e desgaste interno na Corte.
Brasília (DF) — 12 de fevereiro de 2026 — A Polícia Federal solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, a declaração de suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria da investigação que envolve o Banco Master. O pedido foi apresentado na noite de quarta-feira (11), após perícia realizada no celular do presidente da instituição financeira, Daniel Vorcaro.
De acordo com informações reveladas pelo portal UOL e confirmadas por outros veículos, a inspeção no aparelho teria identificado citações ao relator e a outras autoridades com foro privilegiado. O conteúdo está sob sigilo e foi entregue diretamente por Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, ao presidente da Corte.
Diante do pedido, Fachin intimou Toffoli a se manifestar formalmente sobre a existência ou não de eventual conflito de interesses na condução do processo.
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o requerimento da Polícia Federal se baseia em “ilações” e questionou a legitimidade da corporação para apresentar o pedido, sustentando que a instituição não é parte formal no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. A defesa informou que a resposta será encaminhada diretamente à Presidência do STF.
Questionamentos e repercussão política
A relatoria de Toffoli no caso já vinha sendo alvo de críticas e questionamentos entre integrantes do meio jurídico e parlamentares. Entre os pontos levantados está a suposta proximidade entre o magistrado e Daniel Vorcaro.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo apontou que Fabiano Zettel, cunhado do empresário, teria realizado aportes financeiros, por meio de fundo de investimentos, em empreendimento turístico pertencente a irmãos do ministro. O episódio levou deputados e senadores a defenderem a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar possíveis conflitos de interesse.
Outro fato citado por críticos ocorreu em 29 de novembro, quando o advogado Augusto de Arruda Botelho, que atua na defesa de um dos diretores do Banco Master, viajou em aeronave particular do empresário Luiz Oswaldo Pastore ao lado de Toffoli para assistir à final da Copa Libertadores, em Lima, no Peru, entre o Clube de Regatas do Flamengo e a Sociedade Esportiva Palmeiras. À época, ambos afirmaram que estavam na condição de torcedores e que não trataram de assuntos profissionais durante a viagem.
A solicitação da Polícia Federal ocorre em um momento de desgaste institucional no Supremo e amplia o debate sobre transparência, independência e eventuais impedimentos na atuação de ministros em processos de grande repercussão.





